segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Essa semana vi uma menina escrevendo sobre "não ter vocação pra ser princesa" e resolvi falar sobre essa vocação.
Desde pequena eu sempre ouvia que tinha que ser uma princesinha. Meu pai me chamava assim, meu irmão, minha mãe, tios e mais um bocadinho de gente. Via na televisão esse rótulo de princesa tendo que ser enfiado de alguma forma na cabeça das meninas. Porém, eu mesmo sendo "princesa" sempre preferi Super Mário do que joguinhos de garota, andar de camisa e short do que de vestido, sapato do que sandália.
Ia para o bar junto com meu pai, observava aqueles homens bêbados em meio as minhas balas de hortelã, todos orgulhosos de peito inflado com aquele giz de cera num taco velho mirando nas bolas que eram encaçapadas do lado dos copos de cerveja quente. Porque se vangloriar era mais importante do que ganhar, e ainda ria disso junto com o dono do bar que servia aquelas bebidas enquanto conversava comigo só porque já estava querendo fechar pra ir ver o jogo do Corinthians - e ainda falava sobre eu gostar de futebol e ser corinthiana.
Já saí aos tapas com moleques que se achavam no direito de me paquerar. Já furei olho de meninos... Até lembro da primeira vez que me chamaram de gostosa, bati tanto que acho que hoje em dia não tem coragem de chamar alguém assim de novo.
Nunca fui induzida a namorar com fulaninho e até ficava com raiva quando falavam algo assim. Nunca deixaram eu ter essa ideia de sexualização infantil e até me colocaram no Karatê porque eu era interessante demais pra ballet.
Preferia os livros a vida real, os filmes a sair de casa, preferia ganhar cadernos e lápis ao invés de maquiagem e inclusive fui saber o que era maquiagem depois dos 16 anos de idade. Totalmente fora dos padrões e com pensamentos completamente diferentes.
Porém, meu pai sempre me chamou de princesa.

Fui criada pra ser independente, opiniosa, teimosa, esquentada, otimista... E ainda sim ser princesa?
Foi ai que descobri que pra ser princesa não precisa necessariamente de um sapatinho de cristal, ser indefesa e ter um príncipe pra te defender. Princesa também pode ser princesa sozinha, pode ser fora dos parâmetros impostos.
E sim, eu sou uma princesa e não me envergonho ou vejo problema em falar isso e parecer menos mulher. Porque na verdade é isso mesmo que eu sou e que se danem as normas reais. Como uma autentica princesa auto-declarada, não espero que príncipe me liberte. Eu já sou livre por conta própria.


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Kathleen Barros

Kathleen Barros
Sou uma colecionadora de histórias e estórias, uma grande adição de todas as coisas que já passaram por mim, uma fita adesiva humana. Nada passa sem deixar rastro. Sou moldada pelo mundo. instagram:@queeitebarros Facebook clique na foto
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