terça-feira, 28 de junho de 2016
11:19
| Postado por
Unknown
Já reparou como as coisas nos são impostas só porque gostamos delas? Por exemplo, fale para um viciado em séries que você não gosta muito e ele olhará pra você tentando achar alguma justificativa que pra seja aceitável. Conte pra um leitor compulsivo que você não consegue ler e ele tentará te apresentar um infinito universo do qual você não vai se encaixar e, ainda vai recitar que você só não achou o livro certo. Fale porque você preferiu se abster de porcarias como refrigerantes e batatas fritas e as pessoas vão tentar colocar você num patamar de inferioridade ao bater na tecla de que isso é frescura e vamos todos morrer. Ou quando você gosta de algo e a outra pessoa não gosta, quer jogar você de todas as formas para o lado oposto. "Como assim você escuta funk e ainda dança? Você é doente por gostar de assistir novela da globo". A opinião sempre foi e sempre vai ser relativa à pessoa.
Engraçado como eu encho o peito pra falar que ouço Tom Jobim, canto de olhos fechados Djavan e choro por Nando Reis. Aplaudo Pitty e venero Elis Regina. Agora ouvir Anitta? Descer até o chão com Mc? Faço também.
Durante muito tempo criei um preconceito com funk. Não gostava na frente dos colegas, ouvia e criava minha barreira pra não me dar o direito de correr riscos de ouvir. Enquanto isso meu pé mexia, minha cabeça balançava e eu negava com o olhar o fato de eu estar gostando. Uma menina estudada e chegada em Machado de Assis ouvindo funk? Quem sabe recitar Fernando Pessoa e Clarice Lispector chegar ouvindo Tati Zaqui? Por favor, né? Escondia minhas vontades pra de alguma forma me encaixar. Hoje em dia sei decorado o repertório da Ludmilla e treino o quadradinho quase todos os dias. Percebi que esse preconceito só afasta as pessoas e nos limita cada vez mais.
Note que as coisas começaram a parar de servir pra distração e começaram sendo inseridas por meio social. Se você não assiste séries, vai se perder numa roda de amigos que falam sobre Flash, Arrow, Demolidor e Narcos. Se você não é fã de livros, numa roda de conversas onde estão falando sobre Machado de Assis, você vai preferir John Green. Se você prefere ouvir bandas mais famosas enquanto seus amigos falam de "Plutão já foi planeta", você sente nostalgia de quando tinha que aprender o nome de todos os planetas do sistema solar. Se você não conhece filmes, quando ouvir falar de Tarantino vai pensar em Tarantela e sentir vontade de comer macarronada ou pensa na dança italiana e continua com vontade de comer macarronada. E então, com essas dificuldades para se comunicar no meio em que você está, vai acabar se isolando na conversa ou preferindo mexer no celular. Veja bem, não estou falando que não deva fazer isso; só note que são muitas informações nos sendo jogadas e só acompanha quem quer acompanhar.
Não percebemos o quão ridículo soa fazer as coisas apenas para agradar pessoas ou forçar pessoas a fazer o que gostamos para podermos conversar com elas. Veja, se a pessoa não conhece uma determinada coisa, você pode falar a forma como você vê; caso a pessoa não esteja disposta a escutar essa coisa, procurem assuntos em comum. Tem um universo inteiro esperando ser explorado, conversado e até questionado. Não se limite apenas as obrigações que você chama de Hobby.
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Kathleen Barros
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