sexta-feira, 6 de novembro de 2015
00:05
| Postado por
Unknown
Você provavelmente já ouviu o mito de Narciso, mas caso não tenha lido ou ouvido falar, aqui vai:
"Narciso era um belo rapaz indiferente ao amor, filho do deus do rio Céfiso e da ninfa Liríope. Por ocasião de seu nascimento os pais perguntaram ao adivinho Tirésias qual seria o destino do menino, pois ficaram muito assustados com a sua beleza rara e jamais vista. A resposta foi que ele teria vida longa se não visse a própria face. Muitas moças e ninfas apaixonaram-se por Narciso quando ele chegou à fase adulta, mas o belo jovem não se interessou por nenhuma delas. A ninfa Eco, uma das apaixonadas, não se conformando com a indiferença de Narciso, afastou-se amargurada para um lugar deserto onde definhou até a morte e restaram somente seus gemidos. As moças desprezadas pediram aos deuses que a vingasse. Nêmesis apiedou-se delas e induziu Narciso, depois de uma caçada num dia muito quente, a se debruçar na fonte de Téspias para beber água. Nessa posição ele viu seu rosto refletido na água e se apaixonou pela própria imagem. Descuidando-se de tudo o mais, ele permaneceu imóvel na contemplação ininterrupta de sua face refletida e assim morreu. No local de sua morte apareceu uma flor que recebeu seu nome, dotada também de uma beleza singular, porém narcótica e estéril."
Analisando a estória de Narciso, penso cá com meus botões o quanto de "Narcisistas" temos nessa geração. O quanto de adoradores da própria imagem e da própria opinião. Não pensem que estou só apontando pra vocês, jovens gafanhotos. Me incluo nesse meio. Afinal, se escrevo é por que necessito de pessoas que compactuem com o que venho falando. Se posto, é por que necessito de pessoas que falem "era isso que eu queria falar, mas não tive oportunidade". Necessito falar para alguém, por alguém e com alguém. Porém, essa necessidade é algo do ser humano, o que venho tocar aqui é algo mais específico, mais particular. Por exemplo, o excesso de fotos.
Posa daqui, posa dali, 50 ângulos diferentes com a mesma pose, mais 30 poses diferentes, a luz mais pra esquerda, o ângulo que favorece é inclinando um pouco pra baixo, o filtro é o terceiro do instagram, tem que ter no mínimo 50 likes. Ah, se não der pode ir em páginas e trocar likes. Esse inclusive é um termo famoso. Não, apaga as 143 fotos por que o sorriso estava meio amarelado. Escova os dentes com clareador, para as meninas passar maquiagem é sempre um ponto a mais. Gente, qual a necessidade dessa espinha aparecer justo hoje? "Hoje o dia promete" e a arrumação fake para dar um 'up' na foto. Tira a bagunça só da parte que a câmera pega, ninguém quer ver sua blusa amassada. Vamos lá, qual vai ser hoje? Pseudocult? Intelectual? Fitness? O que? Só isso de likes? Mas... Será que houve algum erro? A sensação é de uma apunhalada nas costas.
Ah, vai. Não vou ser tão injusta falando só das fotos, vou falar também de fatos que perseguem as pessoas atualmente. É a "Hashtag". #Partiuacademia , #Partiudentista , #Partiuaula e pode falar que ninguém se importa de verdade pra onde você vai? Qual a necessidade de gritar para todos, por exemplo onde você estava? Espera, encontro com os amigos shopping da cidade. E claro, foto pra provar que você esteve lá. Não digo que não há divertimento, só que a necessidade de se expor vem me causando uma dúvida. Pra quê? Qual é, você não tem Snapchat? Twitter? Mas facebook você tem? Não? Que absurdo. Como sobrevive? Ah, só um momento. Preciso escrever sobre você, sobre o que pensei quando vi aquele gatinho, e sobe outras milhares de coisas que não vai mudar a vida das pessoas. E falar dos namoros virtuais pode? Não existe conhecimento, não existe um envolvimento real. Só aquilo que querem que você conheça. Limitações luxuosas para estimular desejos adolescentes, príncipes e princesas, quando na verdade encontramos sapos mascarados de sentimentos verdadeiros. Claro que foi paixão, não foi só mentira. Mas por necessidade de amar alguém. Por estar na idade da Aurora e não ter ninguém pra tirar da cama. O ser humano necessita desse impulso e esse impulso foi encontrado em você. Isso não faz menos real. Só assusta ver a necessidade que tive. Se aos 13 fosse tão resolvida quanto aos 20, isso jamais teria acontecido.
Essa solidão que persegue as pessoas e faz com que sinta que likes é sinônimo de amizades, admiração e popularidade. É esse grito de "estou aqui. Também faço parte" que acaba transformando os jovens de hoje em seres que vivem e prol de uma vida virtual com muitos seguidores e likes, que têm produtos e vendem a imagem por eles, que se esforçam pra ficar bem na foto e não mudam para não desagradar os fiéis. Porém, esquecem de viver o aqui, o agora, o papável enquanto constroem uma vida fictícia baseada nos sonhos da realidade.
Marcadores:autoestima,Conversa,sociedade
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